Crescer. Acontece com todo mundo. O engraçado é que desde criança nós temos a impressão de que temos que apressar esse crescimento, que bom mesmo é ser “velho”. E então nossos pais chegavam e falavam que nós devíamos aproveitar enquanto éramos crianças, que depois piorava e tudo mais. E eles estavam certos. Porque bom mesmo, é ser criança.
Quando eu era pequeno, o Brasil finalmente se erguia novamente e conseguia alguma estabilidade política e financeira, o mundo experimentava um relativo período de paz e a tecnologia avançava em um ritmo impossível de acompanhar. Mas a verdade era que eu realmente não me importava com nada disso. Criança tem gostos muito mais simples. Não precisa de uma casa grande, de móveis caros ou nada do tipo. Para se divertir era só descer pro “play” e brincar do que quer que fosse: Pega-Pega, Esconde-Esconde, Polícia e Ladrão, e seus muitos derivados. E depois era só subir, imundo dos pés à cabeça, a roupa virada em trapos, e com um sorriso de orelha a orelha.
Quando era para ficar em casa também não era problema. Jogos de Tabuleiro, Bonecos, o inicio dos vídeo games (quando um Nintendo 64 era o máximo), os irritantes tamagochis, gibi da turma da Mônica e os programas de televisão. Por mais que alguém tente negar, nós fomos uma geração criada pela televisão. E nós adoramos isso. Seja TV a cabo ou normal, não tinha problema nenhum em passar a tarde vendo dezenas de desenhos e programas que só as crianças entendiam. Quem não se lembra dos dias chuvosos vendo Cartoon Network, Nickelodeon ou a finada Fox Kids (Que virou Jetix, que foi comprada pela Disney e sei lá no que deu)?
Outra coisa bem significativa: Não existiam preocupações! O maior problema era perder um episódio de Pokémon, ou quebrar a perna do boneco (ou Barbie, para as meninas) favorito. Mas vestibular? Era só uma palavra complicada que “os mais velhos” falavam. Até o colégio era sinal de curtição! Acordar para ir brincar com seus amigos, algumas atividades divertidas, nada para se preocupar. A única coisa para pensar era na próxima brincadeira.
Até mesmo nas relações, tudo era muito mais simples. Falsidade, hipocrisia... Parece que tudo isso vai chegando lentamente com a puberdade. Era bem simples: Ou gostava, ou não gostava. E mesmo assim, no final todo mundo acabava brincando junto.
Crescer. É tão chato quanto inevitável. A moral é tirar o melhor possível disso. Claro que crescer ter suas vantagens, muitas delas. Mas, chegando cada vez mais perto de começar uma nova fase da minha vida, é inevitável olhar para trás e lembrar como minha infância foi boa. :)
Por: F.B.D.C











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